Nextcloud: atacantes instalam webshells através da aplicação Built-in CODE Server da Collabora, atualize ou remova já

Uma falha crítica na aplicação opcional Collabora Online - Built-in CODE Server para Nextcloud permite a qualquer pessoa executar comandos de sistema no servidor sem autenticação. É explorada desde pelo menos 10 de setembro; a Collabora publicou o aviso, CVE-2026-110447, apenas a 14 de outubro.

O que aconteceu

Em 14 de outubro de 2026, a Collabora publicou o aviso CVE-2026-110447 (CVSS 4.0: 9,2): uma injeção de comandos sem autenticação no proxy.php da aplicação Nextcloud Collabora Online - Built-in CODE Server (richdocumentscode). Esta aplicação executa uma suíte de escritório no mesmo servidor do Nextcloud, sem uma instalação Collabora separada. Um pedido manipulado basta para executar um comando de sistema com os direitos do utilizador do servidor web.

O aviso chegou tarde; os ataques, muito antes. Logo a 11 de setembro, um administrador que aloja vários servidores Nextcloud relatou na página GitHub da aplicação intrusões bem-sucedidas desde a véspera, com registos de 10 de setembro. Outros descreveram depois o aparecimento de ficheiros PHP chamados shx…php na instalação e tentativas falhadas de sudo. A versão corrigida, 26.4.303, saiu a 11 de setembro.

Quem é afetado

Qualquer instância Nextcloud com a aplicação Built-in CODE Server numa versão anterior à 26.4.303. A falha só pode ser explorada enquanto o servidor de escritório integrado não está em execução: após reiniciar o contentor, uma atualização ou uma falha. Desativar a aplicação não chega, avisa a Collabora: é preciso atualizá-la ou removê-la. Os servidores Collabora Online autónomos não são afetados.

O que fazer agora

  1. Verifique se a aplicação está presente: sudo -u www-data php occ app:list | grep richdocumentscode.
  2. Atualize-a para 26.4.303 ou posterior (occ app:update richdocumentscode) ou remova-a (occ app:remove richdocumentscode). No Nextcloud 29 ou anterior, já sem suporte, atualize o Nextcloud ou retire a aplicação.
  3. Procure webshells: find /var/www/nextcloud -name 'shx*.php' e depois occ integrity:check-core. Apague qualquer ficheiro encontrado.
  4. Analise os registos do servidor web desde 10 de setembro: pedidos ao proxy.php da aplicação vindos de endereços desconhecidos e processos estranhos a correr como www-data.
  5. Se havia um webshell, considere o servidor comprometido: a conta do servidor web consegue ler o config.php. Mude a senha da base de dados, os segredos e as senhas de administrador, e de preferência reconstrua o servidor.

A nossa opinião

Um complemento opcional instalado com um clique passa a fazer parte da superfície de ataque de todo o Nextcloud. Mantenha um inventário das aplicações realmente usadas, remova as restantes e não espere por um número CVE para aplicar uma atualização que a comunidade já descreve como correção de segurança.

Fontes

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